Pé no chão, olhos no mundo: a trajetória de Beatriz Dockhorn

Ela abriu um negócio em Porto Alegre, mas com os olhos voltados ao exterior. Mesmo em um tempo em que havia muito menos incentivo a microempresas do que hoje, lá na década de 90 Beatriz Dockhorn já era pioneira na exportação, comandando a primeira organização brasileira de seu porte a vender para o mercado externo.

Pioneirismo seguiu sendo uma das linhas da empresária: além da Bia Brazil, marca que hoje é uma das maiores em exportação do segmento activewear do país, vendendo para mais de 60 paises, ela também foi uma das fundadoras da APEX – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos e é presidente da Associação Brasileira de Bens de serviço do Esporte( Abrese).

Incansável, já anuncia que em 2018 a empresa crescerá ainda mais, e aconselha para aquelas que, como ela, buscam o sucesso nos negócios: nada de espírito sonhador, o jogo pede pé no chão e muita estratégia.

 iPlace – A Bia Brazil foi a primeira microempresa brasileira a exportar, em 1995, e hoje é uma das maiores exportadoras do país em roupa activewear. Quais foram os passos desta trajetória de sucesso?

Beatriz Dockhorn – Ser a primeira microempresa brasileira a exportar já é um grande passo. Sempre tivemos os olhos no exterior. Eu sou ex-atleta, e, em minha carreira, havia viajado muito e sabia o que faltava, em activewear, no mercado de outros países.

Assim, nosso foco no exterior se fortaleceu, e minhas iniciativas nesta área também. Ajudei, inclusive, na criação da APEX – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

iPlace – O mercado fitness brasileiro movimenta em torno de R$ 8 bilhões anuais, sendo quase a metade disso vinda do segmento de moda esporte. Qual a estratégia da Bia Brazil para se manter forte há duas décadas em um mercado tão competitivo?

Beatriz Dockhorn – Sempre achei muito difícil o mercado gaúcho, brasileiro. Por este motivo, comecei direto na exportação. Nunca quis depender do mercado nacional, pois a instabilidade do Brasil é muito grande, os clientes de outros países são mais sérios e parceiros. Isto nos fez empresa trabalhar tanto anos somente vendendo para outros países.

Hoje, vendemos para mais de 60 países, em um volume de cerca de 15 a 20 mil pecas/mês.

Esta temática de começar pelo mercado externo, do mundo para Porto Alegre, onde temos sede, é uma peculiaridade nossa, que abordarei em palestra no dia 06/04, no evento Mesas TI, em Porto Alegre-RS.

iPlace – Em uma trajetória de tantos acertos, houve também erros? Que lições você aprendeu e gostaria de repassar?

Beatriz Dockhorn – Houve erros, claro. Por exemplo: em 2008, nossa fábrica pegou fogo e eu perdi tudo. O incêndio consumiu todos os nossos computadores, programas, dados. Eu não queria voltar a trabalhar. Mas voltei, e aprendi, com isso, que é preciso uma estratégia mais rigorosa. Não tínhamos backup nem seguro de nada! A partir disso, tudo mudou, e melhoramos em todos estes quesitos, podendo chegar onde estamos hoje. 

iPlace – Onde estamos hoje?

Beatriz Dockhorn – Temos nossa sede em Porto Alegre-RS e showroom nos EUA e Portugal, além de lojas de licenciamento na Finlândia, Paraguai, Portugal, México, EUA, Líbano e Croácia. E a rede está em expansão. Em abril e junho abriremos duas novas lojas na Croácia, por exemplo.

Empregamos 58 colaboradores diretos e, indiretos, em torno de 150.

iPlace – Qual a projeção da Bia Brazil para 2018 e os próximos anos?

Beatriz Dockhorn – No final de 2017 assinamos dois contratos comerciais, um com a Espanha  e outro com o Irã. Em 2018, deveremos crescer a uma taxa de 18%, além de abrir franquias no Brasil e aumentar nosso mix de produtos, acrescentando as linhas praia, infantil e acessórios. 

iPlace – Você já viveu alguma dificuldade ou preconceito na carreira por ser mulher?

Beatriz Dockhorn – Não existia nenhuma pequena empresa exportando em 1995, quando comecei. Eu não encontrei dificuldade por ser mulher, ao contrário, sempre recebi ajuda de empresários exportadores. No ano de 2017, recebi a Medalha de Honra ao Mérito em Exportação da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxti), em uma mesa formada só por homens. Dediquei o prêmio às mulheres exportadoras.

Esta situação de estar entre maioria masculina, para mim, é muito normal. Nunca tive problemas com isso.

iPlace – Qual sua mensagem, como empreendedora de sucesso, para outras mulheres que almejam o sucesso no ramo do empreendedorismo?

Beatriz Dockhorn – Considero o empreendedor um sonhador. Seja empresária. Ou tenha sempre um empresário junto de si, para fazer as contas da empresa e garantir a organização e estratégia necessárias.

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