Como amar as segundas-feiras: o empreendedorismo de Luciana Caletti

Uma mulher, uma carreira e como amar segundas-feiras

 

Você gosta do seu trabalho? Gosta da empresa da qual faz parte? E, principalmente, sente que ela é parte de sua realização pessoal?

Estes são alguns questionamentos que Luciana Caletti, fundadora da Love Mondays, propõe. Com uma carreira sólida, formada de forma ascendente por multinacionais e, depois, culminando no empreendedorismo ao criar uma plataforma que hoje passa das 115 mil companhias usuárias, ela é taxativa ao afirmar que é preciso acreditar no próprio potencial e, principalmente, buscar informação sobre os ambientes de trabalho desejados, para garantir que há sinergia e evitar desapontamentos tanto por parte do colaborador, quanto do empregador.

No Mês das Mulheres, a nova entrevista da nossa série Mulheres Non Stop traz este exemplo de empreendedorismo e dicas valiosas para quem, como Luciana, quer chegar ao topo. Confira!

 

iPlace – Você é fundadora da  Love Mondays, maior comunidade de carreiras do país. De onde veio a inspiração para criar a plataforma?

Luciana Caletti – Percebemos que os profissionais estavam tomando as decisões de carreira muito no escuro, sem saber como era o ambiente de trabalho em uma determinada empresa antes de se candidatarem a vagas. As pessoas só se deparavam com a cultura, o modo de trabalho, quando efetivamente começavam a trabalhar, e, se não se encaixavam, isso não era bom para elas, nem para as empresas.

Também percebemos que havia, na Internet, avaliações para tudo: desde onde jantar, até para onde viajar ou que celular comprar. Só não tinham avaliações referentes a trabalho, ambientes profissionais.

Assim surgiu o Love Mondays: basicamente, com o propósito de trazer transparência para o mercado de trabalho, proporcionando espaço para as pessoas compartilharem suas experiências com os ambientes, as culturas das empresas, seus salários ou suas vivências em processos seletivos.

 

iPlace – Quais foram os principais passos para tornar a Love Mondays uma empresa do porte que é hoje, congregando informações sobre satisfação e salários de funcionários de mais de 115 mil empresas?

Luciana Caletti – Começamos a trabalhar no Love Mondays em 2013 e o lançamos efetivamente em 2014. Sempre acreditamos em uma comunidade de carreiras com conteúdo de qualidade. Então, convidamos os profissionais a postarem suas avaliações de forma bem escrita, que realmente agregue valor para quem for lê-las.

Para os usuários, o Love Mondays é 100% gratuito. A única coisa que pedimos é que a pessoa poste uma avaliação do ambiente onde trabalha ou do processo seletivo por que tenha passado. Isto é justo, é uma troca com a comunidade, e é isso que tem alimentado o crescimento da plataforma.

 

iPlace – O nome “Love Mondays” traduz um sentimento próprio. Você é uma amante da segunda-feira, ou seja, do trabalho? E é isso que quer traduzir a seus usuários?

Luciana Caletti – Sim. A mensagem do nosso nome é clara: ame a segunda-feira. A ideia por trás é que as pessoas achem um lugar para trabalhar do qual gostem, que trabalhem no lugar certo para elas. Pelo menos para eliminar aquele pânico do domingo à noite que precede uma segunda-feira em um trabalho do qual o profissional não gosta, onde não se sente bem. Queremos mitigar esta ansiedade. A ideia é compartilhar informações para que as pessoas escolham o ambiente de trabalho certo, para que gostem de seu trabalho, gostem da segunda-feira.

 

iPlace – No Brasil, apenas 37% dos cargos de liderança corporativa são exercidos por mulheres. Como gestora, o que você avalia deste cenário? O que falta para que a participação feminina avance neste sentido?

Luciana Caletti – Falta proatividade das empresas em construir um pipeline de liderança feminina. As organizações têm de tomar medidas para que o número de mulheres em cargos de liderança cresça. Pois se esperarmos por isto acontecer naturalmente, levará ainda muitos e muitos anos.

As empresas têm de trazer mais mulheres para cargos superiores. Sou a favor, por exemplo, de temas polêmicos, como cotas para mulheres em conselhos de empresas. Sou a favor disso, e de que as empresas construam uma estrutura, um sistema justo de avaliação e promoção das mulheres.

Porque não adianta só querer ter mulheres lá em cima, nos cargos executivos. Têm de ter todo um pipeline de liderança e incentivo, um ambiente de trabalho onde haja equidade – pois em alguns ambientes, mesmo que a mulher entregue um trabalho melhor, ela é avaliada de forma mais dura, mais rígida, do que o homem.

Então tem várias coisas a serem feitas no sentido de uma avaliação justa do trabalho das mulheres e da criação de uma estrutura justa para chegar a uma maior equidade de gêneros no topo da pirâmide.

 

iPlace –  Você já enfrentou algum tipo de preconceito, barreira, dificuldade na carreira por ser mulher?

Luciana Caletti – Eu sempre tive muita sorte. Trabalhei na Johnson & Johnson e na Capgemini, que são empresas ótimas em termos de pessoas, em termos de equidade de gênero. Não posso falar que sofri preconceito. Houve, sim, algumas situações desconfortáveis, mas muito pontuais e nunca nas empresas, sempre em outros âmbitos profissionais.

Porém, via de regra, não posso afirmar nenhuma situação em que fui prejudicada por ser mulher.

 

iPlace –  Que conselhos você daria para a mulher que está começando a empreender agora?

Luciana Caletti – A primeira coisa é: acredite no seu potencial e faça. Não deixe para depois. Claro, tenha um planejamento antes de abrir uma empresa, mas não postergue. Prepare-se, acredite e faça.

Outra coisa importante é formar uma rede de apoio. Muitas vezes a gente quer fazer tudo acontecer sozinha, de forma muito independente, mas ao abrir uma empresa você precisa do apoio de outras pessoas, de parceiros. Com uma rede de apoio, você consegue crescer uma empresa mais rapidamente.

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